BAIC no Brasil: montadora chinesa chega com plano de produção local
A montadora chinesa BAIC está chegando ao Brasil com plano de produção local, lançamento do hatch elétrico Arcfox T1 em novembro e meta de entrar no top 5 até 2030. Entenda o que muda para o mercado brasileiro.
A dúvida que circula entre quem acompanha o mercado automotivo é: quando uma montadora chinesa de verdade vai se instalar no Brasil? A resposta começa a se desenhar agora. A BAIC está desembarcando no país com um plano ambicioso: produção local, lançamento de um modelo a cada três meses e a meta de ocupar um lugar entre as cinco maiores marcas do Brasil até 2030.
O primeiro passo é o Arcfox T1, um hatch compacto 100% elétrico, que chega às ruas em novembro, em 50 revendas. Logo depois, vem o Arcfox T5, um utilitário esportivo também elétrico, e a rede de distribuição deve saltar para 150 pontos de venda até o fim do ano que vem. Os detalhes foram apresentados nesta quinta-feira (27) durante o Festival Interlagos, onde os dois modelos estão expostos. Os preços, porém, só serão revelados no lançamento.
Apesar da estreia com crossovers elétricos, a BAIC não quer ficar só nisso. O plano inclui um portfólio diversificado, com híbridos e carros a combustão. A meta declarada é entrar no ranking das dez marcas mais vendidas até 2028, quando a empresa pretende ter dez produtos no país e produção local de alguns deles. Em uma segunda etapa, até 2030, o grupo quer estar entre as cinco maiores, o que, considerando o ranking do ano passado, quando a Toyota ocupou a quinta colocação, pressupõe vender mais de 170 mil carros, cerca de 7% do mercado.
Presente em mais de 130 países, com vendas de 1,75 milhão de veículos no ano passado, a BAIC espera ter no Brasil sua maior operação fora da China. Segundo Oswaldo Ramos, diretor de operações da BAIC no Brasil, a empresa estuda três opções para a fábrica: construir uma unidade totalmente nova (projeto greenfield), adquirir uma fábrica existente ou alugar o espaço de alguma montadora já instalada. "Quando assinei o contrato para a posição de chefe de operações, a primeira coisa que me perguntaram foi sobre o plano de manufatura. A equipe de manufatura já veio ao Brasil para visitar terrenos", conta Ramos, que antes de se tornar executivo da montadora, prestava serviços de consultoria para a BAIC e liderou o lançamento da GWM no Brasil.
O executivo assegura que a decisão de produzir no Brasil está tomada, independentemente do resultado das eleições e da política industrial a partir do ano que vem. "Não há a menor dúvida do investimento. O mercado brasileiro é o sexto maior do mundo, e temos uma linha de produtos que se encaixa muito bem", afirma. O plano, segundo ele, é importar peças, não apenas finalizar carros parcialmente montados. "Não vai ser um processo de importar em kits CKD e SKD. Vamos importar, no processo peça a peça, os componentes que não têm similar nacional e ter uma curva rápida de nacionalização dos componentes que têm disponibilidade no Brasil", adianta.
Para quem pensa em comprar um carro elétrico nos próximos anos, a chegada da BAIC pode significar mais opções e, possivelmente, preços mais competitivos. Mas, como os valores só saem no lançamento, a recomendação é acompanhar os próximos passos da montadora. Se você está de olho no mercado, vale ficar atento às novidades que devem surgir a cada três meses, como promete o plano da empresa. carros elétricos no Brasil