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Grupos reflexivos para autores de violência: como funcionam

ResumoGrupos reflexivos para autores de violência doméstica no Rio de Janeiro e em Niterói são programas judiciais obrigatórios que encaminham homens agressores a encontros mediados por psicólogos. O trabalho foca na responsabilização pelo ato violento e na desconstrução de padrões de comportamento, utilizando dinâmicas de grupo e discussões sobre gênero. A metodologia busca interromper o ciclo de agressão por meio da reflexão crítica e do desenvolvimento de alternativas não violentas de convivência.

Encaminhados pela Justiça, homens autores de violência doméstica participam de grupos reflexivos no Rio e em Niterói. Psicólogos e participantes explicam como o trabalho busca responsabilização e mudança de comportamento.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 07 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
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Grupos reflexivos para autores de violência contra a mulher: o que acontece por dentro

Quando um homem chega a um grupo reflexivo para autores de violência doméstica, a primeira reação costuma ser de resistência. "Eles chegam revoltados porque se acham vítimas das mulheres", descreve o psicólogo Marcio Carvalho, responsável por encontros que acontecem em fóruns do Rio de Janeiro e de Niterói.

Esses grupos reúnem homens enquadrados na Lei Maria da Penha, criada em 7 de agosto de 2006. Nos 20 anos da lei, o g1 acompanhou de perto como esse trabalho é conduzido, conversou com os psicólogos e ouviu dois participantes, que falaram sob condição de anonimato.

Como funcionam os grupos reflexivos da Lei Maria da Penha

Os homens chegam aos grupos por encaminhamento da Justiça. A participação faz parte de uma medida que busca, mais do que punir, promover a responsabilização e a mudança de comportamento. Os encontros são semanais e conduzidos por psicólogos.

No Rio de Janeiro e em Niterói, os grupos funcionam dentro dos fóruns. O espaço físico integra o circuito judicial: o homem que cometeu violência doméstica não é apenas processado, ele é convocado a refletir sobre o que fez.

O que os participantes dizem ao chegar

A revolta inicial é um padrão. Muitos chegam se enxergando como vítimas. A fala do psicólogo Marcio Carvalho aponta para uma dificuldade central: reconhecer a própria responsabilidade.

Um dos participantes anônimos contou como era antes: "Eu era muito agressivo. Não agressivo em agredir fisicamente, mas agressivo na palavra". A declaração mostra que a violência reconhecida nem sempre é a física.

Outro participante citou comportamentos que, para ele, passaram a ser vistos como violência depois dos encontros. Atitudes que antes pareciam normais ganharam outro significado dentro do grupo.

O papel dos psicólogos nos encontros

Os psicólogos conduzem as sessões com foco na responsabilização. Não se trata de um espaço de acolhimento da vítima, mas de um dispositivo para que o autor da violência examine as próprias condutas.

A escuta qualificada é o ponto de partida. Aos poucos, a revolta inicial dá lugar a um processo de reflexão que, segundo os relatos, leva à revisão de comportamentos naturalizados.

Relatos anônimos: reconhecer a violência

O anonimato foi condição para que os dois participantes falassem. Um deles resumiu a mudança: reconhecer como violência o que antes era tratado como normal. O outro, ao citar a agressividade verbal, mostrou que a violência doméstica não se limita a agressões físicas.

Esses relatos ajudam a entender o efeito prático dos grupos: a mudança começa quando o homem se percebe autor de violência, e não vítima.

Por que isso importa para você

Se você convive com alguém que foi encaminhado a um grupo reflexivo, saiba que o processo é longo e exige acompanhamento. A Justiça determina a participação, mas a transformação depende do envolvimento de cada um.

Para quem vive uma situação de violência, o caminho é buscar ajuda. A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026, é o marco legal que permite medidas como o encaminhamento a esses grupos.

Perguntas Frequentes

O que são grupos reflexivos?

São encontros semanais, conduzidos por psicólogos, para homens enquadrados na Lei Maria da Penha, com foco na responsabilização e na mudança de comportamento.

Quem é encaminhado para esses grupos?

Homens autores de violência doméstica, encaminhados pela Justiça, como parte de medidas previstas na aplicação da lei.

Onde funcionam os grupos no Rio?

Nos fóruns do Rio de Janeiro e de Niterói, segundo a reportagem do g1.

Os participantes são obrigados a ir?

Sim, o encaminhamento é feito pela Justiça, e a participação integra o processo de responsabilização.

A violência verbal também é tratada?

Sim, como mostra o relato de um participante que reconheceu a agressividade nas palavras como uma forma de violência.

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