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40% do mercado portuário ignorado, diz NeoWise

ResumoNeoWise alerta que 40% do mercado portuário brasileiro, disputado entre portos fora do eixo de Santos, permanece ignorado em debates sobre concentração. A análise aponta que políticas restritivas focadas apenas em Santos desconsideram a competição real entre terminais alternativos. NeoWise defende que regulações precisam avaliar o cenário completo, evitando distorções que prejudiquem a eficiência logística nacional.

Debate sobre concentração no Porto de Santos ignora 40% do mercado disputado entre portos, afirma NeoWise. Entenda a análise e o alerta sobre políticas restritivas.

Dione Albuquerque
Dione Albuquerque Colunista de Economia Regional · 06 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
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O leilão do Tecon Santos 10 reabriu o debate sobre a concentração no mercado de contêineres no Porto de Santos. Para a NeoWise, porém, essa preocupação ignora a concorrência real entre os portos brasileiros. Luis Claudio Montenegro, sócio-diretor da consultoria, levou o tema ao CNN Talks: Quando as Regras Mudam.

Segundo Montenegro, a discussão sobre concentração desconsidera que o Porto de Santos disputa cargas com terminais de outros estados. "O Porto de Santos abrange uma área de influência muito grande pelo tamanho e pelas conexões que ele tem, mas ele movimenta somente 60% da carga dessa área de influência", afirmou.

Na prática, os 40% restantes ficam com portos do Paraná, de Santa Catarina, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Para o especialista, ignorar essa fatia enfraquece o argumento de que há risco de monopólio. "Essa questão de números de concentração que desconsidera a concorrência entre portos é uma questão muito frágil para ser discutida nesse aspecto", destacou.

A lição da Argentina

Montenegro recorreu à experiência argentina para ilustrar o perigo de políticas excessivamente restritivas. Em 1994, o país adotou uma regra que impedia um mesmo grupo de operar dois terminais. A ideia era estimular a concorrência.

O resultado veio em 2000: a decisão foi considerada equivocada. Os terminais ficaram pequenos e os portos perderam competitividade. "Em 2016, a Argentina chegou à decisão de querer um único terminal que seja competitivo e está tendo grandes dificuldades de fazer essa reforma", disse Montenegro.

O alerta ao Brasil é direto: repetir esse caminho pode custar caro. Para a NeoWise, a prioridade não deveria ser limitar a atuação dos portos, mas ampliá-la. "É preciso investimento, é preciso ampliar capacidade, reduzir preço, diminuir fila", concluiu.

O que está em jogo

O CNN Talks: Quando as Regras Mudam reúne autoridades, empresários e especialistas para debater como decisões tomadas hoje afetam investimentos planejados para décadas. No centro da conversa está a infraestrutura portuária, um dos gargalos históricos do comércio exterior brasileiro.

Para quem depende do Porto de Santos, a mensagem é de cautela. A concentração de mercado é um risco real, mas a solução não pode vir de regras que travem a expansão. O equilíbrio entre concorrência e capacidade é o ponto que a NeoWise defende como essencial.

Perguntas Frequentes

O que é o Tecon Santos 10?

O Tecon Santos 10 é um terminal de contêineres no Porto de Santos, cujo leilão gerou debate sobre concentração de mercado. A NeoWise questiona essa análise, apontando a concorrência de outros portos.

Por que a NeoWise considera frágil a discussão sobre concentração?

Porque o Porto de Santos movimenta apenas 60% da carga de sua área de influência. Os outros 40% são disputados por portos do Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

O que aconteceu na Argentina em 1994?

A Argentina estabeleceu uma regra que impedia um mesmo grupo de ter dois terminais portuários. Em 2000, o país reconheceu que a decisão foi equivocada, pois os terminais ficaram pequenos e os portos perderam competitividade.

Qual a recomendação da NeoWise para o Brasil?

Investir e ampliar a capacidade portuária, reduzir preços e diminuir filas, em vez de adotar políticas excessivamente restritivas que possam repetir o erro argentino.

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