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Juro alto pesa mais no produtor pessoa física, diz estudo

ResumoO estudo do Rabobank revela que o ambiente de juros elevados impacta mais os produtores rurais pessoa física do que as empresas do setor. A diferença decorre do acesso limitado a linhas de crédito subsidiadas e da maior dependência de financiamentos de curto prazo. Os números indicam custo financeiro proporcionalmente superior para o produtor individual, pressionando margens e liquidez.

Ambiente de juros elevados pressiona mais os produtores rurais pessoa física do que as empresas do setor, mostra estudo do Rabobank. Entenda os motivos e os números.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 09 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Juro alto pesa mais no produtor pessoa física, diz estudo

O ambiente de juros elevados no Brasil aumenta o custo do crédito rural e pressiona com mais intensidade os produtores que atuam como pessoa física. A conclusão é de estudo do Rabobank, que analisou a transmissão da política monetária para o campo.

Segundo o levantamento, o canal de transmissão existe, mas não ocorre de forma uniforme. Enquanto as empresas do setor contam com maior proteção por causa das linhas direcionadas e subsidiadas, incluindo operações vinculadas ao Plano Safra, os produtores pessoa física ficam mais expostos aos efeitos dos juros.

"Os choques monetários elevam os juros do crédito rural e aumentam a inadimplência com maior intensidade entre produtores rurais pessoa física", afirma o texto elaborado pelo economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, Mauricio Une, e pelo economista Renan Alves.

Após o choque, a inadimplência das pessoas físicas aumenta cerca de 0,1 ponto percentual entre seis e doze meses. Para as pessoas jurídicas, o efeito é mais limitado: o estudo encontrou impacto de 0,37 ponto percentual sobre as concessões após seis meses, mas pouca evidência de alta persistente na inadimplência.

A análise, intitulada "Além do Plano-Safra: Crédito Rural sob Aperto Monetário", usou dados do Banco Central e do próprio Rabobank para avaliar o comportamento do crédito rural nos ciclos de alta da Selic.

Nos ciclos recentes de aperto monetário, especialmente entre 2021 e 2023 e entre 2024 e 2025, houve aumento significativo das taxas de financiamento rural. Para as pessoas jurídicas, os juros chegaram a níveis próximos ou superiores a 14% ao ano. Já as taxas para pessoas físicas permaneceram em patamar inferior, embora também tenham subido.

O estudo observa que o movimento também apareceu em ciclos anteriores, como o de 2015 a 2017, mas com intensidade menor.

Por que a inadimplência não reage igual aos juros

A relação entre custo do crédito e inadimplência não é automática. No caso das empresas, o Rabobank identificou um comportamento atípico entre 2019 e 2021, quando a inadimplência chegou perto de 6% ao ano, antes de recuar para níveis próximos de zero. O banco ressalta que isso foi influenciado pelas medidas excepcionais da pandemia, que permitiram prorrogações e renegociações de operações e postergaram o reconhecimento de atrasos superiores a 90 dias.

Entre os pessoa física, a trajetória foi diferente. A inadimplência subiu de forma mais gradual e acelerou entre 2024 e 2026, quando chegou a aproximadamente 7% ao ano.

Um dos pontos centrais do estudo é que não basta olhar apenas para a Selic. O comportamento dos preços agrícolas pode funcionar como amortecedor. Quando soja e milho estão valorizados, a receita obtida pode compensar parte do aumento do custo financeiro.

Foi o que ocorreu, por exemplo, no ciclo de 2013-2014, quando os juros subiram, mas os preços de soja e milho estavam favoráveis e os custos dos fertilizantes permaneciam estáveis. O crédito rural continuou crescendo sem deterioração relevante da inadimplência. Algo semelhante ocorreu em 2021-2022.

No ciclo mais recente, entre 2024 e 2025, a combinação ficou menos favorável. Os juros permaneceram elevados, enquanto os preços de soja e milho recuaram em relação aos picos anteriores. Os custos dos fertilizantes só começaram a apresentar alguma normalização. O resultado foi receita menor e crédito mais caro, o que coincidiu com alta mais clara da inadimplência, principalmente entre pessoa física.

"Juros elevados, isoladamente, não implicam deterioração relevante quando preços agrícolas sustentam o caixa do produtor."

O Rabobank conclui que o aperto monetário não provoca deterioração generalizada do crédito rural, mas aumenta gradualmente a vulnerabilidade de determinados segmentos. "O canal de transmissão da política monetária para o crédito rural permanece ativo."

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