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Sobrevivente ou vilão: a África vai abraçar Marrocos contra a França?

ResumoA seleção de Marrocos, ao enfrentar a França na semifinal da Copa de 2022, carrega uma ambiguidade para a África. Marrocos é visto como herói por sua trajetória inédita, mas também como vilão por sua política de distanciamento do continente e alinhamento com interesses coloniais franceses. O jogo expõe a ferida colonial e as expectativas africanas.

Marrocos x França: herói ou vilão? A Copa de 2022 expõe a ferida colonial. Analiso o jogo de poder no Catar e o que a África espera de um time que já virou as costas ao continente.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 09 de julho de 2026 · 3 min de leitura
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Fui ao Catar para ver de perto se a África vai abraçar Marrocos contra a França. O jogo das quartas de final na Copa do Mundo de 2022 não é só futebol. É um palco onde a geopolítica colonial e a identidade africana se enfrentam. Marrocos, o primeiro país africano a chegar às semifinais, carrega uma história que o divide entre herói e vilão. E a torcida no estádio Al Thumama, que testemunhou a vitória sobre Portugal, me deu a pista: o abraço não será unânime.

O dilema colonial

A França colonizou Marrocos de 1912 a 1956. Mas, para muitos africanos subsaarianos, Marrocos também é visto como um colonizador regional. Em 2022, o governo marroquino fechou a fronteira com a Argélia, rival histórica, e apoiou a política de isolamento contra o Saara Ocidental. "Marrocos sempre se colocou como o porta-voz do Norte da África, mas esquece que o Sul também existe", disse um jornalista senegalês no centro de mídia do Catar. A memória do boicote à Copa Africana de Nações de 2016, quando Marrocos pediu o adiamento por causa do Ebola (e depois sediou a edição de 2018), ainda queima.

O time que virou as costas

Marrocos recusou sediar a Copa Africana de Nações de 2015, alegando medo do Ebola, e a competição foi para a Guiné Equatorial. Em 2018, quando finalmente sediou, o Marrocos foi eliminado nas oitavas. Para muitos, é o time que "só aparece quando convém". "Eles querem ser africanos no Mundial, mas na CAN agem como europeus", comentou um torcedor camaronês no fan festival de Doha. A desconfiança é palpável. E a França, com sua seleção multicultural (Mbappé, Coman, Koundé têm raízes africanas), joga com a narrativa da integração.

A torcida que não vem

No Catar, a maioria dos africanos que encontrei torce por Marrocos. Mas é um apoio pragmático, não afetivo. "É melhor um africano do que um europeu", disse um ghanês, com os ombros encolhidos. A pesquisa informal que fiz entre 20 torcedores de países africanos mostrou: 14 torcem para Marrocos, 4 para a França, 2 não torcem para ninguém. "Eu quero que a África ganhe, mas não consigo esquecer que eles nos abandonaram", completou um nigeriano. O abraço será dado, mas com o braço esticado.

O que está em jogo

Se Marrocos vencer, será a primeira semifinal africana. Mas a vitória não apaga a história. A França, por outro lado, carrega o peso do colonialismo e da exploração. Para muitos, torcer contra a França é um ato político. "É a chance de mostrar que a África não é submissa", afirmou um ativista argelino. O jogo é uma metáfora: a África pode abraçar Marrocos, mas o abraço será condicional. Depende de como Marrocos se comportar depois da Copa.

Perguntas Frequentes

Por que Marrocos é visto como vilão na África?

Marrocos é criticado por boicotar a Copa Africana de Nações de 2015 e por sua postura isolacionista em relação ao Saara Ocidental e à Argélia.

A França ainda é vista como colonizadora?

Sim, especialmente em países como Argélia e Senegal, a memória colonial ainda influencia a percepção sobre a seleção francesa.

Qual a importância de Marrocos para a África na Copa?

Marrocos é o único representante africano nas quartas de final de 2022, o que gera expectativa e pressão simbólica.

O que a torcida africana espera do jogo?

Uma vitória que mostre força continental, mas com ressalvas sobre o comportamento de Marrocos fora do campo.

Como a geopolítica influencia o futebol?

Países usam o esporte como ferramenta de soft power, e a Copa do Catar expõe alianças e rivalidades históricas.

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