Acordos comerciais na Índia: governo busca novos mercados
Em meio ao tarifaço dos EUA, o governo brasileiro busca novos acordos comerciais na Índia. O ministro Márcio Elias Rosa viaja ao país até 7 de agosto para ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado indiano e fortalecer a inserção do Brasil no comércio global.
Acordos comerciais na Índia: governo busca novos mercados em meio ao tarifaço dos EUA
Com a nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal aposta em novos acordos comerciais para diversificar seus parceiros. O ministro Márcio Elias Rosa, da pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, viajou à Índia com o objetivo de ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado indiano e fortalecer a inserção do Brasil, segundo informou o ministério em nota.
Por que o Brasil busca novos mercados agora?
A nova onda de tarifas dos EUA levou o Brasil a buscar novos mercados, em um plano de R$ 130 milhões que deve ser implementado no início deste mês, segundo o governo federal. A medida foi anunciada após recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
A nova sobretaxa de 25% entrou em vigor no último dia 22 e foi adicionada às tarifas já existentes sobre os produtos afetados. A alíquota foi adotada após investigação iniciada depois que o presidente americano Donald Trump anunciou, em julho de 2025, uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros.
A missão do ministro na Índia
Márcio Elias passará por Mumbai, Delhi e Jaipur até o dia 7 de agosto. Em Mumbai, o ministro se encontrará com grupos empresariais, como a Reliance Industries e Aditya Birla Group, na busca de investimentos no Brasil.
Já em Nova Delhi, o foco será nos setores de defesa, tecnologia, equipamentos industriais, automação e bens de consumo. Para isso, terá um almoço com empresas nacionais, como Embraer, Weg, Perto, CBC e Tramontina, para identificar desafios e oportunidades na ampliação da presença brasileira no país.
Ainda em Delhi, Márcio Elias deve se encontrar com instituições e empresas indianas voltadas para o setor privado, fertilizantes, comércio e infraestrutura. Entre as reuniões previstas, estão com a CII (Confederation of Indian Industry), considerada a principal entidade representativa do setor privado indiano, além de IFFCO, State Bank of India (SBI) e Adamo Group.
O que o ministro disse sobre a viagem
"Em um momento em que o mundo passa por uma onda de medidas restritivas ao comércio global, o Brasil segue fiel na defesa do multilateralismo e na busca de novos mercados para empresas e produtos brasileiros", disse o ministro.
"A Índia é o segundo maior mercado consumidor do mundo e um grande parceiro comercial do Brasil, com quem mantivemos, em 2025, uma corrente de comércio de mais de US$ 15 bilhões. Com o apoio da Apex, esperamos conseguir ampliar nossa relação comercial", completou sobre a Apex Brasil, que organizou reuniões do ministro no país.
"Esses encontros têm potencial para gerar novas oportunidades comerciais e de investimentos para empresas brasileiras, além de contribuir para o desenvolvimento de parcerias em setores considerados estratégicos", afirmou Márcio Elias.
A agenda do Brics e a diversificação
A viagem à Índia ainda abordará questões relacionadas ao grupo político e internacional Brics, que envolve países como Brasil, Rússia, Índia e China. Atualmente, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã também fazem parte.
Márcio Elias vai representar o Brasil em reuniões com autoridades da Índia, China, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Egito e África do Sul. Segundo a pasta, a ideia é abordar a resiliência industrial, o desenvolvimento sustentável, o fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas e cadeias globais de valor mais resilientes e diversificadas, além de comércio digital e preservação de sistema multilateral de comércio.
"Nessas reuniões, buscaremos fortalecer o diálogo econômico e comercial, identificar oportunidades de ampliação do comércio bilateral e promover maior integração entre empresas brasileiras e mercados considerados estratégicos", pontuou o ministro.
Analistas ouvidos pelo CNN Money apontam que o Brics pode ser uma alternativa na diversificação nesse cenário internacional. Porém, essa mudança de rota precisa superar uma série de desafios e deve trazer resultados concretos somente no médio e longo prazo.
O que a investigação dos EUA apontou
A apuração conduzida pelo USTR analisou políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal. Segundo o órgão, a apuração identificou práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos, levando Trump a autorizar uma ação responsiva.
O governo americano afirma que as políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência. Outro argumento utilizado pelos EUA envolve a política ambiental brasileira: segundo o USTR, o Brasil possui legislação para combater o desmatamento, mas falhou em aplicá-la adequadamente. Esse tema foi incluído entre os fatores que, na avaliação do órgão, contribuem para insegurança jurídica e distorções comerciais.
O que fica de fora do tarifaço
Apesar da nova rodada de sobretaxas, produtos como café e carne bovina não serão atingidos pela medida. Além disso, o documento do USTR prevê dezenas de exceções para produtos considerados essenciais à economia americana ou sem fornecedores alternativos suficientes, incluindo determinados produtos farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes da indústria aeronáutica.
Os EUA esperam obter acesso aos mesmos regimes preferenciais concedidos pelo Brasil a outros parceiros comerciais e defendem relações comerciais em bases de reciprocidade. Ao mesmo tempo, a autoridade comercial fez um alerta sobre possíveis respostas brasileiras.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço dos EUA?
É a nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor no último dia 22, adicionada às tarifas já existentes. A medida foi adotada após investigação do USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Quais produtos brasileiros não serão atingidos?
Café e carne bovina não serão atingidos. O documento do USTR também prevê exceções para produtos farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes da indústria aeronáutica.
O que é o Brics?
É um grupo político e internacional que envolve países como Brasil, Rússia, Índia e China. Atualmente, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã também fazem parte.
Quando a missão na Índia termina?
A missão do ministro Márcio Elias Rosa ocorrerá até o dia 7 de agosto, passando por Mumbai, Delhi e Jaipur.
Como o tarifaço afeta o consumidor brasileiro?
A busca por novos mercados, como a Índia, pode diversificar as exportações brasileiras e reduzir a dependência do mercado americano, o que pode trazer efeitos positivos no médio e longo prazo para a economia e, possivelmente, para os preços internos.
como o tarifaço dos EUA afeta o preço dos produtos no Brasil o que é a Seção 301 da Lei de Comércio americana Brics: o que é e como funciona o grupo
(Com informações de Daniel Rittner, João Nakamura, Gabriel Bosa, Elis Barreto e Danilo Moliterno, da CNN Brasil)