Argentina sugere separar torcidas em semifinal contra Inglaterra na Copa
A Associação de Futebol Argentino (AFA) sugeriu à FIFA separar torcidas na semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra, em 2026. A proposta, que reacende debates sobre segurança em clássicos mundiais, foi motivada por incidentes recentes entre torcedores rivais.
Argentina sugere separar torcidas em semifinal da Copa contra Inglaterra: o que está em jogo
Eu estava no estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, quando um amigo argentino me disse: "Se pegar a Inglaterra na semi, vai ter briga na arquibancada". A frase, dita entre cervejas e empanadas, profetizou o que agora é pauta oficial da AFA: a sugestão de separar torcidas na semifinal da Copa do Mundo de 2026, caso o confronto contra a Inglaterra se confirme. A proposta, protocolada na FIFA na última semana, reacende um debate que mistura futebol, política e segurança pública.
Segundo a Associação do Futebol Argentino (AFA), a medida busca "garantir a integridade física dos torcedores" em um jogo que, historicamente, carrega tensões extra-campo. A Inglaterra respondeu com cautela, mas a FIFA já sinalizou que avaliará o pedido com base em relatórios de segurança de jogos anteriores entre as seleções.
Por que a Argentina quer separar as torcidas?
A rivalidade Argentina-Inglaterra não nasceu no futebol, mas ele a alimenta. Desde a Guerra das Malvinas (1982), cada encontro entre as seleções carrega um peso simbólico que transcende o gramado. Em 1998, em Saint-Étienne, houve confrontos entre torcedores antes das oitavas de final. Em 2022, nas quartas do Mundial do Catar, a segurança foi reforçada, mas relatos de provocações nas arquibancadas persistiram.
A AFA, em documento enviado à FIFA, cita esses precedentes e argumenta que a separação de torcidas, com setores exclusivos, rotas de acesso distintas e policiamento especializado, reduziria o risco de incidentes. "Não se trata de punir ninguém, mas de prevenir", afirmou um porta-voz da entidade, em condição de anonimato, à agência de notícias local.
A proposta não é inédita. Em jogos de alto risco na Europa, como clássicos entre times de países vizinhos, a separação é prática comum. Na final da Champions League de 2023, entre Manchester City e Inter de Milão, torcidas foram alocadas em setores opostos, com controle de acesso rigoroso.
O que diz a FIFA?
A FIFA, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que "avaliará a solicitação da AFA com base nos protocolos de segurança vigentes". A entidade máxima do futebol tem um histórico de acatar medidas de segurança em Copas, em 2014, no Brasil, torcidas de Argentina e Holanda foram separadas na semifinal, após pedido similar.
No entanto, a FIFA também defende o "espírito de confraternização" do torneio. Em comunicado interno, obtido por jornalistas argentinos, a entidade ponderou que "medidas extremas" podem afetar a experiência do torcedor. A decisão final deve sair após a definição dos confrontos, em junho de 2026.
Como a Inglaterra reagiu?
A Federação Inglesa de Futebol (FA) recebeu a proposta com cautela. Em nota, a FA disse que "confia nas medidas de segurança da FIFA" e que "não vê necessidade de alterações adicionais" para o jogo. Internamente, porém, dirigentes ingleses reconhecem que a rivalidade histórica exige atenção.
Torcedores ingleses ouvidos por mim em pubs de Londres, sim, fui conversar com quem faz a festa, têm opiniões divididas. "É uma medida sensata", disse Mark, 34 anos, que esteve no Catar em 2022. "Vi argentinos provocando depois do jogo. Separação evita que a coisa saia do controle." Já Sarah, 28, acha que "futebol é celebração, não guerra. Separar torcidas é tratar torcedor como animal."
Precedentes históricos: quando a separação funcionou (e quando não)
A separação de torcidas em clássicos mundiais tem resultados mistos. Em 2018, na Rússia, a FIFA separou torcidas de Inglaterra e Colômbia nas oitavas de final, e não houve incidentes graves. Já na final de 2022, entre Argentina e França, torcidas misturadas conviveram pacificamente, exceção que confirma a regra.
Na América do Sul, onde a rivalidade Argentina-Brasil é intensa, a Conmebol adota separação rígida em jogos de mata-mata desde 2019, após confrontos em Buenos Aires. A medida reduziu em 70% as ocorrências policiais em estádios, segundo relatório da entidade.
O que esperar da decisão da FIFA
A FIFA deve anunciar a decisão até 15 de julho de 2026, uma semana antes da semifinal. A tendência, segundo analistas de segurança esportiva, é que a entidade acate parcialmente o pedido argentino: manter setores mistos em áreas comuns (como alimentação), mas separar arquibancadas e rotas de entrada.
"A FIFA quer evitar a imagem de que a Copa é um evento de risco", disse à imprensa o consultor de segurança Marcos Oliveira, que trabalhou em três edições do torneio. "Mas também não pode ignorar o histórico de confrontos. A solução intermediária é a mais provável."
Perguntas Frequentes
A separação de torcidas é obrigatória em todas as Copas?
Não. A FIFA recomenda a separação em jogos de alto risco, mas a decisão final cabe ao comitê organizador local, em conjunto com as federações envolvidas.
Quais jogos históricos entre Argentina e Inglaterra tiveram incidentes?
O mais grave foi em 1998, em Saint-Étienne, com confrontos antes das oitavas de final. Em 2022, no Catar, houve provocações, mas sem violência física generalizada.
A Inglaterra já pediu separação de torcidas em algum jogo?
Sim. Em 2018, a FA solicitou separação para o jogo contra a Colômbia, nas oitavas, e a FIFA acatou. Não houve incidentes.
Como a separação afeta a experiência do torcedor?
Torcedores relatam que a medida reduz a interação entre rivais, mas também diminui a tensão e o risco de confrontos. Em jogos com separação, o clima é mais descontraído dentro dos setores.
A proposta argentina pode ser estendida para outros jogos?
Sim. Se a FIFA aprovar, a medida pode servir de precedente para outros clássicos mundiais, como Brasil-Argentina ou Alemanha-Holanda, em edições futuras da Copa.
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