Alunos do interior de SP representam o Brasil em mundial de robôs na Rússia
Uma equipe de robótica formada por alunos do interior paulista conquistou vaga no mundial da modalidade, que acontece na Rússia. Eles representam o Brasil na competição que reúne jovens de mais de 50 países.
A primeira vez que ouvi falar da equipe de robótica de São José do Rio Preto foi numa tarde de quarta-feira, dessas que o sol castiga e o vento se esconde. O professor de física, Carlos Mendes, me mostrou, orgulhoso, o vídeo do robô que seus alunos construíram com peças recicladas e muito suor. Era um protótipo simples, mas carregava uma história que poucos conheciam. Hoje, aqueles mesmos meninos e meninas, oito ao todo, estão de malas prontas para Moscou, na Rússia, onde disputam o First Global Challenge, o mundial de robótica que reúne jovens de mais de 50 países. Eles são a única equipe brasileira na competição.
Alunos da Escola Estadual Professor Antônio D’Ávila, em São José do Rio Preto (SP), conquistaram vaga no mundial de robótica First Global Challenge, que acontece em Moscou, na Rússia, em setembro de 2026. A equipe, formada por oito estudantes do ensino médio, é a única representante do Brasil na competição.
Como alunos do interior de SP chegaram ao mundial de robótica
A jornada começou em 2024, quando a escola recebeu um kit de robótica doado por uma ONG local. O professor Carlos, que já atuava com projetos de ciência, montou um grupo de estudos. No início, eram cinco alunos. Hoje, são vinte, mas só oito foram selecionados para a competição internacional após vencerem a etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), que classificou a equipe para o mundial.
Segundo o regulamento do First Global Challenge, cada país pode inscrever apenas uma equipe, formada por jovens de 14 a 18 anos. A equipe brasileira se classificou ao vencer a OBR em 2025, realizada em Campinas (SP). O evento nacional reuniu 120 equipes de todo o Brasil.
A preparação para a Rússia
Desde que souberam da vaga, os alunos se dedicam a aprimorar o robô batizado de "Tupã", em referência ao deus tupi do trovão. O robô é capaz de coletar objetos, transportá-los e depositá-los em pontos específicos, simulando o tema deste ano do mundial: "Reciclagem Urbana". A equipe treina três vezes por semana, no contraturno escolar.
Fui conversar com quem faz a festa. "A gente nunca imaginou que sairia do bairro, quem dirá do país", me disse Ana Clara, 16 anos, a única menina da equipe. Ela cuida da programação do robô. "Minha mãe ficou emocionada quando contei que íamos para a Rússia. Ela disse que o Brasil inteiro vai torcer pela gente."
O que é o First Global Challenge
O First Global Challenge é uma competição internacional de robótica criada em 2017, que reúne equipes de mais de 50 países. O evento ocorre anualmente em uma cidade-sede diferente, em 2026, Moscou recebe os competidores. Cada equipe constrói um robô autônomo para cumprir tarefas em uma arena, sem intervenção humana direta.
A competição é organizada pela First Global Foundation, com apoio de agências espaciais e universidades. O Brasil participa desde 2018, mas esta é a primeira vez que uma equipe do interior de São Paulo representa o país.
O robô Tupã e o tema reciclagem urbana
O tema de 2026, "Reciclagem Urbana", desafia os robôs a separar objetos recicláveis (representados por cilindros coloridos) e depositá-los em contentores específicos. A equipe de Rio Preto desenvolveu um sistema de garra com sensores infravermelhos, que identifica as cores dos objetos e os direciona corretamente.
O projeto foi premiado na etapa nacional com menção honrosa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que destacou a inovação e o baixo custo, o robô foi construído com menos de R$ 3 mil, usando impressoras 3D e peças de sucata.
O impacto na educação pública
A história da equipe de Rio Preto ecoa a de outras escolas públicas brasileiras que, com recursos escassos, formam talentos na robótica. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), apenas 12% das escolas públicas do país têm laboratórios de ciências. Ainda assim, projetos como o de São José do Rio Preto mostram que a criatividade e a determinação superam a falta de estrutura.
O professor Carlos, que coordena o projeto há três anos, resume: "Eles aprenderam que errar faz parte. Cada peça que não encaixava, cada código que não rodava, foi uma lição. Agora, eles vão mostrar que o interior também produz ciência."
Como apoiar a equipe
A equipe busca patrocínio para custear a viagem a Moscou. As despesas incluem passagens aéreas, hospedagem e alimentação para os oito alunos e dois professores. Uma vaquinha online foi aberta pela associação de pais. Interessados podem contribuir pelo site da escola ou entrar em contato com a diretoria.
Perguntas Frequentes
Quantos alunos formam a equipe brasileira no mundial de robôs?
Oito estudantes do ensino médio da Escola Estadual Professor Antônio D’Ávila, em São José do Rio Preto (SP).
Onde e quando acontece o mundial de robótica em 2026?
Em Moscou, na Rússia, em setembro de 2026.
Como a equipe se classificou para o mundial?
Vencendo a etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), realizada em Campinas (SP) em 2025.
Qual o tema da competição este ano?
"Reciclagem Urbana". O robô deve separar objetos recicláveis e depositá-los em contentores específicos.
Como posso ajudar a equipe?
Contribuindo com a vaquinha online ou entrando em contato com a direção da escola para doações.
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