Tarifaço dos EUA pode impactar em mais de meio bilhão de dólares em exportações no RS, diz levantamento
Levantamento aponta que tarifas dos EUA podem reduzir exportações do RS em mais de meio bilhão de dólares. Setores como carnes, calçados e máquinas são os mais afetados. Governo e entidades buscam alternativas.
Tarifaço dos EUA pode impactar em mais de meio bilhão de dólares em exportações no RS, diz levantamento
Levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) aponta que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos podem reduzir as exportações gaúchas em até US$ 530 milhões. Os setores mais impactados são carnes, calçados, máquinas e equipamentos agrícolas, que juntos respondem por cerca de 60% do total exportado pelo RS aos EUA.
O que diz o levantamento da Fiergs
O estudo, obtido com exclusividade pela reportagem, foi elaborado pela Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs com base nos dados de comércio exterior de 2025. A estimativa considera a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre produtos industriais e 10% sobre alimentos processados, conforme proposto pelo governo americano.
Segundo a Fiergs, as exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos somaram US$ 2,1 bilhões em 2025. Com as tarifas, a projeção é de queda de 25% nesse fluxo, o que representa US$ 530 milhões. O cálculo leva em conta a elasticidade-preço da demanda e a substituição por fornecedores de outros países.
Setores mais expostos
O setor de carnes é o mais vulnerável. O RS exportou US$ 480 milhões em carne bovina e suína para os EUA em 2025. Com a tarifa de 25%, a estimativa é de perda de US$ 120 milhões. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que o impacto pode ser ainda maior se houver retaliação cruzada.
Calçados vêm em seguida. O estado é o maior polo calçadista do Brasil, com exportações de US$ 350 milhões para os EUA em 2025. A tarifa de 25% pode reduzir esse valor em US$ 87 milhões, segundo o levantamento. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) já iniciou conversas com o governo federal para buscar compensações.
Máquinas e equipamentos agrícolas também estão na mira. O RS exportou US$ 280 milhões em tratores, colheitadeiras e implementos para os EUA. A tarifa de 25% pode cortar US$ 70 milhões desse total. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alerta que o setor pode perder competitividade frente a concorrentes mexicanos e canadenses.
O que muda na prática
Na prática, o tarifaço significa que os produtos gaúchos ficarão mais caros no mercado americano. Um par de sapatos que custava US$ 50 pode passar a US$ 62,50. Um quilo de carne que saía a US$ 10 pode ir a US$ 12,50. O consumidor americano tende a buscar alternativas mais baratas de outros países.
A consequência imediata é a redução dos pedidos. Empresas do setor calçadista de Novo Hamburgo e São Leopoldo já relatam cancelamentos de contratos para o segundo semestre. No setor de carnes, frigoríficos de Passo Fundo e Marau preveem queda na produção.
Reação do governo e entidades
O governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, informou que está monitorando a situação e que deve enviar uma comitiva a Brasília na próxima semana para tratar do tema com o Ministério da Economia e a Apex-Brasil.
A Fiergs, por sua vez, defende a abertura de novos mercados na Ásia e no Oriente Médio como forma de mitigar o impacto. A entidade também sugere a redução de custos internos, como a carga tributária e o custo do crédito, para manter a competitividade.
O que esperar daqui para frente
A expectativa é de que as tarifas entrem em vigor em até 90 dias, após período de consulta pública nos EUA. O governo brasileiro estuda acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e também pode retaliar com tarifas sobre produtos americanos, como milho, soja e fertilizantes.
No Rio Grande do Sul, a diversificação de mercados é vista como a principal saída. O estado já aumentou exportações para a China e a União Europeia em 2025, mas a dependência dos EUA ainda é alta para setores como calçados e carnes.
Perguntas Frequentes
Quanto o Rio Grande do Sul exporta para os Estados Unidos?
O estado exportou US$ 2,1 bilhões para os EUA em 2025, segundo dados da Fiergs.
Quais setores serão mais afetados pelo tarifaço?
Carnes, calçados e máquinas agrícolas são os mais expostos, com perdas estimadas em US$ 120 milhões, US$ 87 milhões e US$ 70 milhões, respectivamente.
O governo do RS já tomou alguma providência?
Sim, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico monitora o caso e deve enviar comitiva a Brasília para negociar com o governo federal.
As tarifas já estão valendo?
Ainda não. O governo americano propôs as tarifas, mas elas passarão por consulta pública antes de entrar em vigor, o que deve ocorrer em até 90 dias.
O Brasil pode retaliar?
Sim, o governo brasileiro estuda acionar a OMC e pode impor tarifas sobre produtos americanos como milho, soja e fertilizantes.
Como as empresas podem se preparar?
Diversificar mercados, reduzir custos internos e buscar linhas de crédito especiais são as principais recomendações de entidades como a Fiergs e a Abicalçados.