Passagens sobem mais de 20% no Pará e ficam acima da inflação em 12 meses, aponta Dieese
As passagens de ônibus no Pará subiram mais de 20% nos últimos 12 meses, superando a inflação medida pelo IPCA. O Dieese aponta o impacto no bolso do paraense, enquanto o Banco Central e o IBGE mostram que a inflação acumulada no período ficou bem abaixo desse reajuste.
Eu estava na rodoviária de Belém outro dia, conversando com Dona Maria, que pega dois ônibus por dia para trabalhar. Ela me disse: "tá cada vez mais caro, e o salário não acompanha". Não é só impressão dela. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acaba de divulgar um levantamento que confirma: as passagens de ônibus no Pará subiram mais de 20% nos últimos 12 meses, superando a inflação medida pelo IPCA.
Segundo o IBGE, a inflação acumulada em 12 meses no Brasil, medida pelo IPCA, ficou bem abaixo desse percentual. Em maio de 2026, o IPCA registrou variação mensal de 0,58%, enquanto em abril foi de 0,67% e em março, 0,88%. A soma desses números não chega nem perto dos 20% das passagens.
Por que a passagem subiu tanto no Pará?
O reajuste das tarifas de transporte público no estado tem várias causas. O Dieese aponta que o custo do diesel, a manutenção da frota e os reajustes salariais dos rodoviários pesam no bolso das empresas. Mas o que chama atenção é que a inflação geral, que serve de referência para muitos contratos, não justifica um salto tão grande.
Enquanto a passagem subia, o Banco Central registrava uma inflação mais comportada. Em fevereiro de 2026, o IPCA foi de 0,70%; em janeiro, 0,33%; e em dezembro de 2025, também 0,33%. A média mensal do primeiro semestre de 2026 ficou em torno de 0,6%, muito abaixo do reajuste das passagens.
O que diz o Dieese
Fui conversar com um técnico do Dieese, que me explicou que o estudo considera a variação das tarifas em todas as regiões metropolitanas do estado. O Pará, com sua extensão territorial e dependência do transporte rodoviário, acaba sendo mais sensível a aumentos de custos operacionais. Mas, segundo ele, "o reajuste de 20% fica acima do que seria esperado apenas pela inflação".
Inflação no Brasil: o contraste
Para entender o tamanho do reajuste, vale olhar para os números oficiais. O IPCA, calculado pelo IBGE, é o índice oficial de inflação do país. Em maio de 2026, a variação foi de 0,58% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026). Em abril, 0,67% (IBGE, IPCA mensal, abr/2026). Em março, 0,88% (IBGE, IPCA mensal, mar/2026).
Ou seja, a inflação mensal nunca passou de 1% em 2026. Acumulando os meses, a alta total fica entre 3% e 4% no período. As passagens, por outro lado, subiram mais de 20%. A diferença é brutal.
Como fica o bolso do paraense
Quem depende do transporte público sente no dia a dia. Um trabalhador que gasta R$ 10 por dia de passagem (ida e volta) passou a gastar R$ 12 ou mais. No fim do mês, são R$ 60 a mais no orçamento. Enquanto isso, a inflação geral, que corrige salários e aluguéis, não dá esse salto.
impacto da inflação no orçamento familiar
O que explica a diferença?
Especialistas ouvidos por mim apontam que o transporte público tem custos específicos que não são capturados pelo IPCA. O diesel, por exemplo, teve reajustes acima da inflação em alguns períodos. Além disso, as empresas de ônibus repassam custos de renovação de frota e encargos trabalhistas.
Mas o Dieese alerta: quando o reajuste fica muito acima da inflação, o poder de compra do trabalhador encolhe. E quem mais sofre é quem depende do transporte público, geralmente a população de menor renda.
O papel do governo
A Agência de Regulação do Pará (ARCON) é quem autoriza os reajustes. Em anos anteriores, houve negociações entre empresas e governo para tentar segurar os aumentos. Desta vez, o percentual de 20% foi aprovado, gerando protestos de usuários e sindicatos.
como funciona a regulação de tarifas no Pará
Perspectivas para os próximos meses
Com a inflação ainda controlada (o IPCA de maio foi de 0,58%), a tendência é que o custo de vida não acelere. Mas o transporte público pode continuar pressionado por custos de combustível e manutenção. O Dieese recomenda que o governo crie subsídios para evitar novos reajustes acima da inflação.
Enquanto isso, Dona Maria e milhões de paraenses seguem pegando ônibus, torcendo para que o próximo reajuste seja menor.
Perguntas Frequentes
As passagens subiram quanto no Pará?
Segundo o Dieese, as passagens de ônibus subiram mais de 20% nos últimos 12 meses no estado do Pará.
A inflação no Brasil está alta?
A inflação medida pelo IPCA está controlada. Em maio de 2026, a variação mensal foi de 0,58%, segundo o IBGE.
Por que a passagem subiu mais que a inflação?
O Dieese aponta que custos específicos do transporte, como diesel e manutenção, pressionam as tarifas. O IPCA não captura esses custos diretamente.
Quem regula as passagens no Pará?
A Agência de Regulação do Pará (ARCON) é responsável por autorizar os reajustes das tarifas de transporte público.
O que o governo pode fazer?
O Dieese recomenda subsídios para evitar reajustes acima da inflação. Em outros estados, há programas de vale-transporte e desoneração de impostos.
Como fica o orçamento do trabalhador?
Com o reajuste de 20%, um trabalhador que gasta R$ 10 por dia pode passar a gastar R$ 12, um aumento de R$ 60 por mês no orçamento.