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Eurasia: Segurança pública pode impulsionar onda azul na América Latina

Relatório da consultoria Eurasia Group indica que a melhora em indicadores de segurança pública na América Latina pode favorecer uma "onda azul" nas eleições de 2026-2027. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram queda de 4% nas mortes violentas no Brasil em 2025.

Wesley Tobias
Wesley Tobias Repórter de Segurança Pública · 30 de junho de 2026 · 4 min de leitura
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Eurasia: Segurança pública pode impulsionar "onda azul" na América Latina

Relatório da consultoria Eurasia Group, divulgado em maio de 2026, aponta que a melhoria em indicadores de segurança pública na América Latina pode gerar uma "onda azul", aliança de partidos de centro-direita e conservadores, nas eleições de 2026-2027. A análise considera dados recentes de violência e políticas públicas implementadas no Brasil, Colômbia e México.

O Eurasia Group projeta que a redução da violência em países como Brasil, Colômbia e México pode impulsionar uma "onda azul", aliança de partidos de centro-direita e conservadores, nas eleições de 2026-2027. A consultoria cita dados de homicídios e políticas públicas de segurança como fatores determinantes para a virada política na região.

Segurança pública como motor eleitoral

Para o Eurasia Group, a segurança pública deixou de ser apenas uma pauta setorial e se tornou o principal termômetro de aprovação popular na América Latina. De acordo com o relatório, governos que conseguirem apresentar queda sustentada nas taxas de homicídio e roubo terão vantagem eleitoral significativa.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou queda de 4% nas mortes violentas intencionais no Brasil em 2025, na comparação com 2024. No México, dados do Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública indicam redução de 6% nos homicídios dolosos no primeiro trimestre de 2026. A Colômbia, por sua vez, viu os homicídios caírem 8% em 2025, segundo a Polícia Nacional.

O conceito de "onda azul"

O termo "onda azul" foi cunhado pelo Eurasia Group para descrever a ascensão de lideranças conservadoras e de centro-direita na região, impulsionadas por promessas de ordem e combate ao crime. Diferente de ondas anteriores, esta se ancora em resultados concretos de segurança, não apenas em discurso.

A consultoria aponta que, em 2025, o Brasil aprovou a PEC da Segurança Pública, que cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e amplia o orçamento federal para estados e municípios. A medida, segundo analistas, fortalece a atuação das polícias civis e militares, além de integrar bases de dados estaduais.

Dados regionais e tendências

Na América Latina como um todo, a taxa de homicídios caiu de 23,5 por 100 mil habitantes em 2020 para 19,8 em 2025, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. A queda é mais acentuada em países que adotaram políticas de prevenção e inteligência, como Uruguai e Chile.

O Eurasia Group destaca que a percepção de segurança é tão relevante quanto os números oficiais. Pesquisas do Latinobarômetro mostram que 62% dos latino-americanos consideram a violência o principal problema de seus países. Governos que conseguirem reverter essa percepção tendem a colher dividendos eleitorais.

Implicações para o Brasil

No Brasil, a segurança pública é a pauta que mais mobiliza o eleitorado, segundo o Datafolha. O relatório Eurasia sugere que, se o governo federal mantiver a tendência de queda nas mortes violentas, a "onda azul" pode se consolidar nas eleições de 2026.

A PEC da Segurança Pública, sancionada em dezembro de 2025, prevê R$ 10 bilhões adicionais para estados até 2028. Recursos serão destinados a inteligência policial, perícia e tecnologia de monitoramento.

Riscos e ressalvas

O Eurasia Group alerta que a "onda azul" não é automática. A consultoria cita dois riscos principais: o aumento da criminalidade organizada em áreas de fronteira e a possibilidade de retrocesso em políticas de direitos humanos. Países que adotarem medidas de segurança com viés autoritário podem perder apoio internacional.

Além disso, a queda nos homicídios não se reflete necessariamente em redução de roubos e furtos, que seguem altos em grandes centros urbanos. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que os roubos de celular cresceram 12% em São Paulo no primeiro trimestre de 2026.

Perguntas Frequentes

O que é a "onda azul" segundo o Eurasia Group?

É a projeção de que a melhora na segurança pública na América Latina favoreça partidos de centro-direita e conservadores nas eleições de 2026-2027.

Quais países estão no centro dessa análise?

Brasil, Colômbia e México são os principais, mas o relatório também menciona Uruguai, Chile e Argentina.

A queda nos homicídios é homogênea na região?

Não. Países como El Salvador e Honduras ainda têm taxas elevadas, mas a tendência geral é de queda desde 2020.

Como a segurança pública influencia as eleições no Brasil?

Pesquisas mostram que é a principal preocupação do eleitorado. Governos que reduzem a violência ganham capital político.

O que é a PEC da Segurança Pública?

Emenda constitucional aprovada em 2025 que cria o Sistema Único de Segurança Pública e destina R$ 10 bilhões extras aos estados até 2028.

Há riscos nessa onda política?

Sim. O Eurasia Group alerta para o risco de medidas autoritárias e para a persistência de crimes patrimoniais.

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