Brasileiro médio vive mais de 12 anos em condição ruim de saúde, diz estudo
O brasileiro vive, em média, 12,5 anos em condição de saúde considerada ruim, segundo estudo da The Lancet Public Health. O índice coloca o Brasil em 16º entre 204 países, atrás de EUA e Canadá. Entenda os fatores de risco e as diferenças entre sexos.
Fui conversar com quem estuda esses números e a realidade me pegou de jeito: o brasileiro médio vive 12,5 anos em condição de saúde ruim. É como se, de cada década de vida, mais de um ano fosse passado com doença ou incapacidade. O dado é de um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health, que analisou 204 países e territórios.
O número representa a diferença entre a expectativa de vida ao nascer e a expectativa de vida saudável (HALE, na sigla em inglês). Em 1990, o indicador brasileiro era de 10,4 anos. Subiu 2,1 anos (20%) desde então. A média global passou de 8,8 para 10,7 anos no mesmo período, um aumento de 21,9%.
Na super-região que reúne América Latina e Caribe, o índice subiu de 10,4 para 11,9 anos. O Brasil ocupa a 16ª posição global, atrás de Estados Unidos (14 anos), Austrália (13,9) e Canadá (13,7). Os menores valores foram registrados em Nauru (6,9), Ilhas Salomão (7,3) e Laos (7,4).
Durante a pandemia da Covid-19, a série brasileira oscilou: 11,7 anos em 2020, 11,4 em 2021, 12,2 em 2022 e 12,5 em 2023. O estudo classifica o período de 2020 a 2022 como fase de disrupção, com queda simultânea da expectativa de vida e da expectativa de vida saudável.
O que tira anos de saúde do brasileiro?
Em escala global, cinco grupos de causas responderam por 57,4% dos anos vividos em má saúde em 2023. Os principais fatores de risco apontados pelo estudo são: glicemia de jejum elevada, índice de massa corporal alto, desnutrição infantil e materna e uso de tabaco.
Na América Latina e Caribe, a lista regional é encabeçada por glicemia de jejum elevada e IMC alto. Isso significa que doenças metabólicas, como diabetes e obesidade, estão entre os maiores ladrões de qualidade de vida.
Diferença entre homens e mulheres
O levantamento também identificou diferença entre sexos. Em 2023, o tempo vivido em má saúde foi de 12,1 anos para mulheres e 9,3 anos para homens, no cálculo global. As mulheres vivem mais, mas passam mais tempo com doença ou incapacidade.
O que o estudo não mostra
Os autores do estudo registram que as estimativas são nacionais e regionais, o que oculta desigualdades subnacionais e socioeconômicas. Os dados refletem tendências populacionais, não trajetórias individuais. O intervalo de incerteza da estimativa para o Brasil vai de 9,5 a 15,9 anos.
Os autores afirmam que os intervalos de incerteza das estimativas por país se sobrepõem entre os anos analisados. As conclusões sobre expansão da morbidade se baseiam na consistência e na direção das tendências entre localidades, e não em variações estatisticamente significativas em cada país.
A pesquisa integra o Global Burden of Disease (GBD) 2023, conduzido pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington, com financiamento da Fundação Gates.
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Perguntas Frequentes
O que significa expectativa de vida saudável (HALE)?
É o número médio de anos que uma pessoa pode esperar viver em plena saúde, descontando o tempo passado com doença ou incapacidade.
O Brasil melhorou ou piorou desde 1990?
O indicador piorou: passou de 10,4 anos em 1990 para 12,5 anos em 2023, um aumento de 20%.
Quais são os principais fatores de risco?
Glicemia de jejum elevada, índice de massa corporal alto, desnutrição infantil e materna e uso de tabaco.
A pandemia piorou o indicador?
Sim. A série brasileira oscilou durante a pandemia, com queda da expectativa de vida e da expectativa de vida saudável entre 2020 e 2022.
O estudo considera diferenças regionais dentro do Brasil?
Não. As estimativas são nacionais e regionais, o que oculta desigualdades subnacionais e socioeconômicas.
Qual a margem de erro da estimativa para o Brasil?
O intervalo de incerteza vai de 9,5 a 15,9 anos.