Não é nada fácil realizar pesquisas com consumidores de alta renda. O comportamento de consumo do mercado de alta renda também precisa ser estudado, mas a dificuldade é grande em conseguir o contato com esses profissionais, que possuem características que valorizam o tempo, momentos de lazer e, por isso, é raro terem espaço na agenda para responder pesquisas. Não só pelo pouco tempo disponível no dia-a-dia, a semelhança das pesquisas de mercado ajuda a afastá-los dos pesquisadores. “Normalmente eles estão sob fadiga ou estresse e isso reduz a sua disponibilidade. Além disso, as pesquisas são extensas e as solicitações são freqüentes”, diz Celso Grisi, Diretor–Presidente da Fractal Consulting e professor da FEA- Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. .
Pesquisas realizadas mostram que a maioria destes não costuma estar entre celebridades, grandes eventos e nem em colunas sociais. Muito pelo contrário, esses profissionais estão cada vez mais avessos a estes eventos, e estão sempre buscando novos desafios em seus ramos de atividade e dividem mais tempo entre profissão e a família. E ao contrário das celebridades que andam por aí, os executivos de alta renda preferem muitas vezes não citar suas preferências por serem sofisticadas demais para algumas pessoas. Em diversas pesquisas com este público, o entrevistador não consegue obter a opinião real, muitas vezes porque o executivo não quer ser visto como soberbo. “Este executivo não vai comparar uma companhia aérea brasileira com uma do Canadá. Por isso, a informação dele pode não ser totalmente verdadeira”, alerta Grisi.
Além disso, é crescente o aumento na taxa de permanência desses profissionais no lar por causa de segurança. “Este profissional está cada vez mais apegado à gestão do seu patrimônio e se preocupa mais com a sua carreira profissional que com a fortuna”, destaca Grisi durante o V Fórum ABA de Pesquisa, que aconteceu no Rio de Janeiro. De acordo com Grisi, o melhor local para a coleta de informações é na casa do entrevistado ou em lugares onde ele possa se concentrar no assunto. “Na casa dele pode ser em um escritório ou biblioteca. Mas se tiver que ser no local de trabalho, é melhor que seja após o expediente”, ressalta.
Como recompensas para tais entrevistados são desnecessárias, quebrando totalmente a idéia de incentivos ou benefícios financeiros para este público, a melhor moeda de troca é a informação. É preciso oferecer algo relevante e pertinente como o comportamento da tributação no país, por exemplo. É imprescindível ter uma boa abordagem inicial para talvez conseguir espaço na agenda destes executivos.
Fonte: Mundo do Marketing