Nos últimos dias a economia mundial vem se afogando na crise imobiliária norte-americana. O mercado internacional está desacelerando, o que afeta diretamente o crescimento de economias emergentes como o Brasil, por exemplo.
O ex-presidente do banco central dos EUA (Federal Reserve – Fed), Alan Greenspan, afirmou que “a crise é daquelas que aparecem somente uma vez a cada século”. Apesar de anunciar tamanha crise, Alan disse confiar que os mercados têm capacidade de recuperação e se reerguerem mais rápido que o esperado.
Diante desta situação, o governo norte-americano criou o plano de resgate dos mercados, apresentado pelo governo Bush, também conhecido como o pacote de US$ 700 bilhões (agora de US$ 850 bilhões). Os mercados estão apreensivos quanto à votação do tão esperado pacote pela Câmara dos EUA que ajudaria as instituições financeiras norte-americanas a saírem do buraco e as colocariam de volta ao circulo vicioso da economia normalizada. Por outro lado, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, afirmou que “os deputados querem ter certeza de que a aprovação é certa antes de levar a proposta a votação”, visto que na segunda-feira passada o plano já teria sido negado pelo senado e então passado por algumas mudanças.
Não está entendendo nada sobre esse tal plano de resgate e muito menos sobre o pacote de US$ 850 bilhões (são a mesma coisa, diga-se de passagem – rs). Então vamos à explicação sobre esta, que é uma das saídas do governo dos EUA em relação a essa estrondosa crise.
Este pacote de US$ 850 bilhões irá ajudar a fazer o que?
Simples. O dinheiro que pode ser liberado irá ajudar a salvar instituições financeiras (leia-se bancos) que atuem nos Estados Unidos e que compraram produtos financeiros ligados ao mercado de hipotecas do país.
Instituições financeiras do mundo inteiro compraram papéis relacionados a hipotecas norte-americanas. Porém, com a crise, estes papéis se desvalorizaram absurdamente. O que o governo quer fazer através deste pacote?
O governo quer, utilizando o dinheiro deste pacote, comprar estes papéis relacionados à hipoteca norte-americana e com isso fazer com que os bancos voltem a ganhar fôlego financeiro.
Mas qual é o verdadeiro objetivo deste pacote?
Ajudando financeiramente os bancos que atuam na economia americana, estes ganhariam confiança e voltariam a injetar capital na economia norte-americana através de financiamento de carros, dando crédito estudantil e até mesmo crédito imobiliário. Isto faria a economia entrar nos trilhos, voltando a girar.
Este pacote faria o governo dos EUA perder dinheiro?
Sim, e muito. Apesar de que o presidente George W. Bush dizer que quando a situação do mercado imobiliário americano melhorar e mais pessoas pagarem suas hipotecas em dia, o preço dos papéis ligados a este mercado subiria de preço, fazendo com que o prejuízo com o pacote diminua. Porém nada é garantido.
Qual a garantia que o governo tem perante a estas instituições que podem vir a tomar este dinheiro emprestado?
O governo assumiria uma participação nestas empresas, para que os contribuintes possam compartilhar seus lucros. Além que servir para que ninguém que se desligue das instituições leve vantagens financeiras com a situação.
O pacote sofreu mudanças após ter sido recusado pelo senado na última segunda-feira (29). O que mudou em relação às obrigações do governo?
A proposta agora inclui também a elevação do limite de depósitos garantidos pela Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC) de US$ 100 mil para US$ 250 mil, além da prorrogação de créditos fiscais para empresas, pessoas físicas e para projetos de energia renovável. Com as modificações, o preço total do plano subiu agora é estimado em US$ 850 bilhões.
Agora que entendemos melhor o que é este plano de resgate e para que ele pode vir a servir, só nos resta aguradar para saber se este irá ser aprovado ou não junto à Câmara norte-americana hoje, sexta-feira (3).
Update: “O presidente George W. Bush assinou nesta sexta-feira (3) o pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso norte-americano, informou a Casa Branca.” via G1