Cotas para mulheres executivas Por Mariana Rodrigues 08 fevereiro 2010 as 10:00 | 4 Comentarios

Semana passada (01 de fevereiro) a França, seguindo os passos da Noruega, estabeleceu que as empresas destinassem 50% de seus cargos de diretoria a mulheres. A determinação, cuja implantação ocorrerá nos próximos cinco anos, reabre um debate sobre o machismo e a diversidade no poder das corporações.

No Brasil, estudo realizado pela USP, em 2009, apontou que a porcentagem de mulheres em cargos de chefia é de 37%. O percentual foi considerado por analistas do setor um avanço, se comparado aos dados de 1997, quando a taxa era de 11%. Isso significa que em pouco mais de uma década, a participação das mulheres em cargos de chefia triplicou. A tendência, apesar de todo o cenário de desigualdade de salários, resistência, dentre outros fatores, é de que elas conquistem mais espaço nos próximos anos.

Apesar disso, os homens ainda são maioria nos conselhos de administração das empresas. Para resolver essa questão é que algumas nações interferiram no assunto e adotaram leis que garantem cotas de participação. Países como Noruega, Suécia e Finlândia, por exemplo, já têm 44%, 27% e 26% de mulheres nos conselhos.

Dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), coletados em 508 empresas listadas no banco de dados da Bovespa, dão conta que das mais de 3,6 mil posições de conselheiros existentes, apenas 234 são ocupadas efetivamente por mulheres e outras 85 reservadas a suplentes, ou seja, no Brasil, efetivamente 8% das mulheres exercem cargos de liderança em grandes corporações.

Na Espanha, que adotou o sistema de cotas em 2007, espera-se que em seis anos, essas profissionais representem 40% dos integrantes dos conselhos. Hoje elas são 4%, por incrível que pareça.

Acredito no valor que a diversidade em si agrega e não sei se esse caminho das cotas, aqui no Brasil, será bom e justo. A imposição, para os especialistas, não é o melhor caminho para conquistar a diversidade. As cotas podem acabar estimulando a contratação das mulheres para cumprir metas e não apenas por quesitos como mérito e competência. O ideal é que as empresas quebrem o preconceito interno e adotem uma gestão para a diversidade.

Posicionamento

Para ser conselheiro é preciso ter experiência e competência e, para isso, as empresas que prezarem pela diversificação de seu time, independente do nível hierárquico, devem oferecer oportunidades para que as mulheres possam se preparar para esse momento.

Os conselhos sem diversidade perdem a chance de tomar decisões mais ricas, equilibradas e com olhares variados, além disso, deixam de inovar, de criar soluções únicas.

Infelizmente, ainda presenciamos ambientes corporativos onde impera machismo, preconceito e desigualdade de salários. É comum ouvirmos que as mulheres são boas gestoras de RH ou no máximo de Marketing. Os que defendem essas hipóteses têm dificuldade de aceitar uma mulher no comando geral de uma empresa.

Falta inclusão, e esta deve ser feita com todos da empresa, desde o cargo mais simples até um de alto escalão. Cotas sempre burocratizam a escolha e a diversidade agrega valor. O caminho que as mulheres estão tomando no mundo corporativo, apesar de todas as dificuldades, aponta para uma igualdade. A tendência para os próximos anos é otimista. Agora, é a vez das empresas fazerem o seu papel!

E você? Acha que o caminho das cotas seria uma boa opção? Compartilhe conosco sua opinião!

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4 Comentários : “ Cotas para mulheres executivas ”

  1. 1
    domelhor.net :

    Cotas para mulheres executivas…

    Alguns pases adotaram cotas para mulheres ocuparem cargos de alto escalo e aumentarem assim a diversidade. Voc acha que isso daria certo aqui no Brasil?…

  2. 2
    Pablo Santos :

    Acho que por aqui essa medida iria gerar polêmica, como as cotas universitárias. No mundo corporativo, talvez demore, mas o preconceito vai acabar. Principalmente quando os formandos de hoje alcançarem os níveis de diretoria. O número de mulheres nesses cargos já vem crescendo, tivemos exemplos recentes na HP e na Pepsico, que são gigantes. Creio que, no Brasil, só tem destaque (por enquanto) aquelas mulheres que são empreendedoras, ou seja, controlam os próprios negócios e obtém o sucesso.

    Mariana Rodrigues respondeu:

    Olá Pablo,

    concordo com você. Acredito que pode ser um processo lento, mas que terá um bom desfecho.

    Além das empreendedoras, acredito que boa parte – da pequena quantia – de mulheres no comando de empresas está nas mãos de grandes herdeiras. Mas creio que esse cenário vai mudar e que haverá naturalmente mais mulheres no poder sim.

    Abraços!

  3. 3
    Mulher e Mídia. + Salário, Twitess, edredon, etc. | Groselha News :

    [...] porém acho difícil, nas listas de poderosos da Forbes, por exemplo, elas sempre são minoria. Há cotas para executivas mulheres em países desenvolvidos como a Noruega., porque em todo mundo ainda há desigualdade de gênero. [...]

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